Exposição virtual: O Mundo dos Insetos
Museu de Entomologia da UFV
Semana Nacional dos Museus
18 a 24 de maio
Se você chegou até esta exposição, muito provavelmente os insetos te fascinam de alguma forma. Mas você já parou para refletir o porquê deste fascínio? A seguir escolhemos algumas fotos que podem te ajudar a encontrar a resposta. Aproveite! E se estiver visualizando do celular, não deixe de virá-lo para uma visão melhor das imagens e do texto.
Você já viu uma barata d’água tão de pertinho? Desse ângulo ela parece super simpática, mas não para as suas presas! Esses percevejos são predadores de outros insetos e possuem olhos muito bem desenvolvidos, fundamentais para localizar alimento e perceber movimentos. Os insetos enxergam o mundo de forma muito diferente da nossa: seus olhos são formados por pequenas unidades que captam fragmentos da imagem, criando um mosaico visual.
Já parou pra pensar que muitos insetos têm ciclos de vida complexos? Esse perlário acabou de realizar sua última muda, passando da fase imatura aquática para a fase adulta e com asas. Na foto, ele aparece tocando sua antiga “pele” deixada após a sua transformação. Será que existe algo profundamente simbólico nessa foto? Como se, mesmo depois de crescer, ainda fosse importante manter algum contato com aquilo que um dia fomos.
Você já olhou para uma borboleta ou mesmo uma mariposa e pensou que aquelas cores dariam uma bela estampa? Com padrões e tonalidades impressionantes, muitas parecem ter saído de um desfile da natureza. Mas, para elas, as cores não existem só pela beleza: cumprem funções importantes para a sobrevivência. Tons vibrantes podem servir de aviso para predadores, enquanto padrões discretos ajudam na camuflagem.
Já reparou que hoje em dia muitos adolescentes adoram tirar fotos cobrindo parte do rosto com as mãos? Este louva-a-deus, embora também jovem, não está seguindo essa trend. Na verdade, assim como muitos insetos, ele está realizando a limpeza de suas pernas raptoriais para garantir sensibilidade e agilidade na sua próxima captura de presa.
Essa esperança parece estar tímida, se escondendo atrás dessa folha, não acha? Mas será que insetos podem realmente ser tímidos? Aliás, podemos dizer que insetos têm personalidade? Por muito tempo acreditou-se que pequenos invertebrados agiam apenas por instinto, mas hoje já sabemos que muitos deles apresentam diferenças comportamentais consistentes entre indivíduos. Alguns podem ser mais exploradores, agressivos, cautelosos ou “ousados”, mantendo esses padrões de comportamento ao longo do tempo e em diferentes situações.
Este lindo embióptero não está fazendo uma pose conceitual para a foto, mas bem que parece, né? Como a maioria dos insetos, ele está em constante busca por recursos essenciais à sua sobrevivência e à continuação de sua espécie, como alimento, abrigo e parceiros para reprodução. Parando pra refletir um pouco, os insetos nos mostram diariamente exemplos de persistência e dedicação no cumprimento de seus propósitos de vida, não acha?
Solitária em meio à vegetação, uma vespa social perece enquanto uma nova forma de vida surge do seu interior, a vida de seu algoz. Na foto, um fungo capaz de infectar, manipular e causar a morte de vespas sociais cresce pelo corpo de seu hospedeiro numa tentativa de se reproduzir e dar continuidade ao seu ciclo de vida. O que significa o fim de uma vida, pode significar o início de outra. C'est la vie!
Na imagem, um registro incrível de uma fêmea da ordem Ephemeroptera após a cópula, carregando seus ovos pouco antes da oviposição, último momento de sua breve fase adulta e etapa fundamental para a manutenção das populações desses insetos aquáticos. Após a deposição dos ovos, seu ciclo se encerra, enquanto uma nova geração se inicia nos ambientes de água doce.
Ao passarem para a fase adulta, lagartas de borboletas e mariposas constroem casulos para se protegerem. Esses casulos podem variar dos mais simples aos sofisticados, como o desta foto, construído com pedacinhos de galhos secos e de seda. No caso desta espécie, uma lagarta-do-cesto, ela aproveita o abrigo construído pela larva para se proteger enquanto completa a metamorfose.
Ao olhar para a mata, dificilmente reparamos em apenas uma única folha. Para alguns insetos, porém, o significado pode ser maior. Uma única folha vira abrigo, proteção, e o inseto desaparece sem traço. Ao dobrá-la e costurá-la com sua seda, um grilo a transforma em seu esconderijo, aproveitando com engenho dos mínimos detalhes da natureza.
A fotografia registra os primeiros momentos de vida desses pequenos louva-a-deus, logo após a eclosão da ooteca. Durante os instares iniciais, as ninfas do gênero Acontista mimetizam formigas, estratégia que ajuda a afastar possíveis predadores e que aumenta suas chances de sobrevivência antes de assumirem a aparência típica de um louva-a-deus.
Equipe
Fotografias e edição dos textos: Frederico Salles
Textos:
Mellis Rippel (barata d’água, perlário, mariposa, louva-a-deus limpando as pernas, esperança, embióptero)
Samuel Santos (vespa social com fungo)
Myllena Lima (efêmera com ovos)
Moana Rothe-Neves (lagarta-do-cesto)
Rodrigo Gastaldo (grilo na folha dobrada)
Gabriel Antunes (ninfas de louva-a-deus)